Três são as contas do meu terço
Que contra a carne do peito
Machucam
É pela boca da Santa que elas rezam
Lamuria de virgem:
De braços abertos e os olhos
Cheios de tristeza e gozo
Três são as contas do meu terço
Que contam pro meu passado
Aquilo que não viveu.
sexta-feira, setembro 29, 2006
quinta-feira, setembro 28, 2006
Quando foi que ela passou por mim a primeira vez, não lembro. Se perguntares que roupa vestia ou que perfume usava, terei que dizer invariavelmente – não lembro. E não é por descuido, mofina ou petulância, o fato é que não lembro. Se estava descalça, vestida, se usava suéter ou camiseta, se era verão ou inverno, também não lembro. Se fumava, roia as unhas, se tinha os cabelos longos ou curtos, vou afirmar, surpreso, que não lembro. Quantos anéis tinha, qual era a cor das suas unhas, esqueci completamente, a ponto de dizer-te que não lembro. As maçãs do rosto eram rosadas!? Pergunta-me!? Não lembro, infelizmente. Da boca, do sorriso, do brilho no olhar, das manias... não saberei dizer – porque não lembro. Alta, magra, baixa, gorda, morena, negra, loira... impossível dizer-te com certeza, pois não lembro. Se ouve jazz, ou dança samba, se freqüenta a ópera, ou vai a gafieira, não lembro, também. Se vinha de carro, bicicleta, ônibus, a cavalo não posso assegurar, já que não lembro. Se quando ficava brava gritava, chorava, arrancava os cabelos, xingava, cuspia; tenho a certeza de que não lembro. De quantas vezes disse que gostava, que odiava, que desejava, que sentia asco de mim, disso eu não lembro. Se lhe pedi perdão. Se enviei rosas. Se fiz serenatas a sua janela. Se a traí. Não lembro. Talvez tivéssemos passeado de mãos dadas, quem sabe até trocamos pontapés, mas eu não me lembro. Então por que eu insisto tanto em dizer que nunca a esqueci!
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