terça-feira, outubro 31, 2006

Sobre Angústias

Com as duas patas do potro no peito,
A garganta é o freio que ele mastiga
Seus olhos injetados de sangue
Há ódio, dor...

Sem reação, inerte
Entregue ao triste destino...
Sorvendo um último gole
Do tinto vinho
No sangue das minhas artérias...

segunda-feira, outubro 30, 2006

A infelicidade do celibatário

Franz Kafka
Tradução de Modesto Carone

Parece tão ruim permanecer solteiro e já velho pedir acolhida - mantendo com dificuldade a própria dignidade - quando se quer passar uma noite em companhia das pessoas, estar doente e do canto da sua cama fitar semanas a fio o quarto vazio, despedir-se sempre na porta do prédio, nunca abrir caminho para o alto da escada ao lado da esposa, ter no quarto apenas portas laterais que dão para apartamentos de estranhos, trazer numa das mãos o jantar para casa, ter de admirar os filhos alheios e não poder continuar repetindo "não tenho nenhum", tomar por modelo, no aspecto físico e no comportamento, um ou dois celibatários das lembranças de juventude.

Assim vai ser, só que na realidade, hoje como mais tarde, ali estará o mesmo de sempre, com um corpo e uma cabeça real - ou seja, com uma testa também - para bater nela com a mão.

sábado, outubro 21, 2006

ZAMBA DEL OLVIDO

Olvídame,
esta zamba te lo pide.
Te pide mi corazón
que no me olvides, que no me olvides.

Deja el recuerdo caer
como un fruto por su peso.
Yo sé bien que no hay olvido
que pueda más que tus besos.

Yo digo que el tiempo borra
la huella de una mirada,
mi zamba dice: no hay huella
que dure más en el alma.

quinta-feira, outubro 05, 2006

Por que essa indefinição quando escrevo,
Sempre alguns
Muitas vezes algumas
De qualquer forma nenhuma coisa me satisfaz
Todas as coisas acabam por ser várias
E não poucas se fazem muitas
E isso é por alguém?
Por outrem?
Decerto há algo
Não pode ser por nada
Pois que tudo, e cada, se conjugam
Antes do nada

quarta-feira, outubro 04, 2006

sobre distâncias

Por que um reencontro não é como uma despedida?
Por que as cicatrizes não são como as feridas?
É porque o perto nunca foi tão longe...
E as marcas não doem mais...

terça-feira, outubro 03, 2006

A primeira vez que te vi
Ventava...
As árvores vergavam,
Mulheres seguravam suas saias
E os meninos soltavam pipas

A segunda vez que vi
Chovia...
Gotas parrudas feriam o chão,
As mulheres corriam para se abrigar
E os meninos pisoteavam nas poças

Não houve terceira
Nem quarta, tampouco quinta
Mas quando venta
Ou chove aqui
Solto pipa e pisoteio na lama.

domingo, outubro 01, 2006

Choveu hoje em mim, não como fazia Maria, pois que as gotas foram poucas e miúdas.
Tanto que poderiam ter saído de qualquer lugar – até dos olhos!