quinta-feira, novembro 30, 2006

Será que tem alguma coisa
Nesse céu
Além desse gás azul
Que tanto me incomoda
Quando não vai chover

Fragmento...

Este é um fragmento de um poema escrito há algum tempo. Pífio, na estética, tosco, na linguagem; mas que combina bem com o dia de hoje...

Desde que eu nasci comecei a morrer
Não que eu pudesse interromper esse processo
São os dias de minha existência que passam
Sem retrocesso, inalteráveis e culpados
Posso passar a vida inteira nessa lamúria interminável
E este solilóquio sem objetivos não altera em nada
Minha amargura, pela vida, pela existência...
A esperança - quem ainda a terá? - abandonou-me
E este monstro que sou, sonha um pesadelo contínuo
Confunde-se e confunde-me, não sabendo de se durmo ou
Desperto ando.
Mais um ano, mais um ciclo do espiral passou,
Em tempos vindouros, talvez veja as mesmas marcas em outro rosto
(...)

sexta-feira, novembro 24, 2006

Cata-Vento

Girava
Com a força do vento.

Nas pequeninas mãos
um anel de vidro
e um cata-vento
na boca
em sorriso
cristais cintilam
e as pás do moinho
giram nos teus cabelos
eu vejo seus olhos miúdos
querendo tanto
e tudo

e as voltas que dás
são pelos assobios da nossa melodia.

segunda-feira, novembro 20, 2006

João e Maria

João queria viver só com Maria
Numa ilha, talvez
Num parque de diversões
Fechado, obviamente
Mas ela queria o mundo
As flores e o campo
E isso doía para ele
E sabendo que com ela
A solitude sempre estaria ocupada
Decidiu ficar só com a foto
Com o cheiro
Com a batida do coração
Com a lembrança
Maria se foi é verdade
Mas João sorri
Sempre que imagina
Estar com ela, somente